Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006

FCP Serviu Futebol de Luxo

F.C. Porto – Beira-Mar, 3-0
De ver, rever e chorar por mais
 
Prenúncio, aviso ou ameaça eram perfeitamente dispensáveis. Ao entrar no Dragão, o Beira-Mar era há muito conhecedor das regras, que Adriano fez questão de sublinhar ainda o primeiro minuto não se esgotara por completo. E daí a um instante, então na cabeça de Hélder Postiga, o golo parecia iminente, condenado a acontecer. A cada movimento, a cada esboço ofensivo, a bola sugeria a sensação de ter como destino invariável as redes que Danrlei se propunha defender, mesmo quando tudo parecia resumir-se a uma mera questão de tempo.
 
A velocidade e a peculiar capacidade de improviso de Ricardo Quaresma, somadas às repetidas incursões atacantes de Bosingwa, decompunham o opositor e anunciavam a ruptura abosoluta, adiada por arames, por questões de precisão, que podiam ser medidas em centímetros ou em fracções de segundo. Adiantados no espaço e no tempo, Postiga e Lucho fizeram o estádio pular, mas a bandeira de um árbitro assistente fá-lo-ia sentar novamente, momentaneamente rendido.
 
O tempo, o tal cuja importância parecia resumir-se a uma cifra, possivelmente de dois algarismos, para registar a ocorrência do primeiro golo, mudara repentinamente de lado, transmitindo então a ilusão de jogar a favor do Beira-Mar. Há muito que as oportunidades se sucediam a um ritmo semelhante ao do volver dos minutos e sempre sem resultados práticos, indiferentes ao mentor do projecto de golo ou a quem se propunha executá-lo.
 
A empreitada tornara-se mais delicada e, paradoxalmente, mais árdua. Conquistara feições de obra sem fim, à qual o intervalo ou, mais exactamente, o recomeço acrescentaria novas expressões, com momentos geniais, instantes de sublime inspiração, que traziam consigo o inevitável ponto final, personificado pela presença de Anderson.
 
Interrompido no seu pior, o jogo reatava com alterações radicais, construía-se com traços divinos, para os quais régua e esquadro eram liminarmente dispensados e o recurso ao compasso não passava de ajuda inconsequente. O futebol atingia a sua máxima expressão em recortes fantásticos e na descoberta de espaço no local mais improvável, no jeito delicioso com que Anderson e Quaresma baralham adversários e deixam plateias incrédulas.
Por isso soou a crime, ou algo de um género mais suave, despido de carga negativa, quando se ouviu pela última vez na noite o apito de Olegário Benquerença. Acabar com o jogo ali, quando jogadores e adeptos se divertiam profundamente, degustando a verdadeira essência do espectáculo, foi o mais penoso. Uma espécie de dor infligida de forma abrupta. Havia mais de impensável para nascer, para além de «túneis», trivelas e ziguezagues.
 
Havia mais para ser criado, inventado e experimentado. Mas não havia regra que impusesse o prolongamento ou a sujeição do Beira-Mar ao papel de cobaia por mais 30 minutos. Só a severidade do árbitro e a rigidez das normas imporiam o recolher obrigatório sem consulta prévia das bancadas. A diversão ficava por ali, com três belos exemplares de golo e muitos mais lances de aplaudir e chorar por mais. Há outro jogo para preparar. Na terça-feira, em Londres, o F.C. Porto defronta o Arsenal e o ensaio não correu nada mal.

publicado por mdl às 23:31
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